COMUNIDADES LITORÂNEAS
Acolhe estudantes e pesquisadores com interesse em realizar um mapeamento das expressões socioculturais vinculadas as atividades produtivas de mulheres marisqueiras e algicultoras no litoral cearense. Parte-se do pressuposto de que as relações assimétricas desencandeadas pela heteronormatividade dos gêneros criam e sustentam dicotomias de discriminação contra as mulheres.
A equipe de pesquisadores está atuando desde Abril de 2015 em um processo de observação-participante de duas comunidades litorâneas localizadas no município de Icapuí, Ceará, com objetivo de realizar o levantamento das demandas e necessidades das mulheres marisqueiras e algicultoras – moradoras das comunidades do Requenguela e da Barrinha de Mutamba.
Para tanto, utilizam a metodologia da Investigação-Ação Participativa (IAPA) que inclui o conhecimento das condições de vida das comunidades através das estratégias de contato com as lideranças locais, conhecimento dos projetos sociais em funcionamento na região, além de visitas domiciliares para estabelecimento de vínculo com as populações.
A segunda etapa do processo de intervenção comunitária consistirá na definição conjunta de estratégias de ação da equipe em parceria com grupos que privilegiem o trabalho de reflexão crítica sobre o modo como as condições de vida locais afetam a constituição da subjetividade.
É uma proposta que pretende possibilitar mudanças nas formas de pensar o papel da mulher imersa com foco na sustentabilidade, geração de renda e vínculo com o ambiente nas areas de proteção ambiental. Trata-se da compreensão de que ao lado da perspectiva de preservação dos ecossistemas terrestres e marinhos, encontram-se sujeitos que (re)transmitem relações de opressão e de hierarquias psicossociais no eixo intergeracional.
Valorizar a identidade das mulheres nestas cadeias produtivas é antes de tudo fortalecer um modelo de melhoria na qualidade ambiental e na saúde comunitária que preconizem relações sociais de gênero mais equitativas. O inverso constitui-se como fator de sofrimento psíquico normatizando identidades e corpos no contexto da cultura local.
Instituições parceiras: ONG Caiçara de promoção do desenvolvimento humano e Fundação Brasil Cidadão.
Equipe de Pesquisadores: Andréa Chagas Pinheiro, Frederico Rafael Gomes Sousa, Geovana Dara, Jhuliany Xavier Garcez, Juliana Matos.
